quarta-feira, 24 de março de 2010

Praia

E ele olha de longe, talvez pela última vez, a praia. Infelizmente é necessário mudar. Vai às montanhas e por lá sempre ficará. Amava o mar, passava todos os dias perto. Sentia-se envolvido de uma maneira única quando estava ali. Aquela sensação da água, do flutuar, do preenchimento, do movimento calmo da maré...


Agora essas memórias ele fingirá que não tem. Fingirá que, da água, apenas se lembra da gelada e fria sensação, da correnteza o levando aonde não queria ir e da salgada e ardida sensação. Ele sabe, por mais que não queira admitir, que não são essas lembranças que o marcaram. Estranho destino que os fez separar.


Ele foi fundo, fundo até demais. Quis ir no máximo que poderia ir, sentir, ser, fazer parte. Foi ao máximo que podia tentar e se afogou.


Agora nas montanhas ele vive o mais longe que pode do mar. Engana-se quem pensa que é do aconchegante frio e beleza dos Alpes que o levaram ali. Não, foi preciso se afastar. Agora ele se ilude ao fingir sentir que são ruins as suas lembranças do seu mar.

2 comentários:

  1. vc postou tudo de uma só vez!

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  2. Faz muito tempo que não venho aqui!

    Por que não guardar as boas fotos do mar e visitá-lo quando dá vontade?

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