Não consigo sair cedo, já deviam estar preparando a ceia. A noite estava linda, resolvo voltar caminhando. Passo antes em alguma loja onde devia comprar o que me fora pedido. Aproveito e compro algo para dar.
A noite era especial, véspera de natal, e as ruas estavam com um aconchegante clima para os que caminhavam. O calor se contrastava com o solo úmido, arte das chuvas de verão. As luzes de natal contornavam janelas e árvores dando diferentes cores à cidade. Estava tudo muito bonito. As pessoas andavam com sorrisos e leveza no ar. Papais Noel, renas e enfeites davam um gostoso ar de infância. Os carros e casas emitiam sons baixinhos e melodiosos. Difícil encontrar alguém que não goste do Natal.
Chego à porta da casa que há pouco me era desconhecida, era tudo como em um sonho. Coloco a mão nos bolsos e percebo que não encontro minhas chaves, devo tê-las esquecido ou talvez quisesse apenas que fosse ela que me abrisse a porta. Toco a campainha e aguardo com um pouco de ansiedade até se abrir. Ela me atende, estranho como muda tão rápido.
Sua pequena estatura me encanta. Estava com roupas que há pouco lhe dei, talvez para me agradar, e com pantufas que lhe davam um ar carinhoso. Estava linda. Curvo-me até ficar da sua altura, abraço-a e levanto, tirando-a do chão.
Aqueles olhos tão diferentes dos meus me olham, um olhar pertencente à outra. Suas pequenas mãos procuram o meu ombro e depois se enrolam ao meu pescoço enquanto eu a aperto com força contra meu peito. Sinto seu calor, seu coraçãozinho.
Volto a olhar no fundo daqueles belos olhos, daquela pessoa tão linda. Ela me abre um sorriso e o mundo parece que se cala em um silencio incomum. Quantas pessoas conseguem fazê-lo se sentir único, puro, genuinamente feliz? Quantas pessoas lhe dão o coração simplesmente pela pessoa que você é e só pedem o seu em troca? Quantos sorrisos lhe fazem sentir meramente extraordinário? São poucas e ela é uma delas, capaz de criar um silencio e, com a autoridade da voz mais linda do mundo, quebrá-lo:
- Feliz Natal, papai.
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